Realizando a entrevistas com os alunos negros de minha turma pude verificar que todos não se sentem discriminados na escola, uma das alunas disse que se sente feliz e não existe motivo pra se sentir diferente ou discriminada pois não é diferente de ninguém é uma aluna igual a todos os seus colegas. De acordo com as respostas de meus alunos constatei que a discriminaçao não parte das crianças e sim dos adultos, estes que discriminam.
Estou com esta turma a dois anos e nunca percebi discriminação racial por parte deles, quando surge algum apelido com relação a colegas, geralmente é relacionados a questões referente ao tipo físico como "dentuço", "gordinho" entre outros, nunca com relação a etnia, o que vem a reforçar a minha opinião sobre o preconceito.
A criança não discrimina a etnia de seu colega, sempre trabalhamos em sala de aula como foi formado o povo brasileiro, que somos a miscigenação de diferentes etnias, a contribuição de todas as raças, não somente o negro, mas o índio, o oriental entre as diversas etnias que formaram o nosso povo.
Houve em nossa escola uma mostra da cultura negra e uma das questões que surgiu foi quanto a religião, pois sendo a maioria evangélica questionaram sobre a religião umbandista se seria do mal, conceitos que trazem de suas casas, expliquei que todos os povos tem sua religião e que a umbanda era uma religião como outra qualquer como temos os católicos, protestantes, evangélicos e que todas as religiões devem ser respeitadas, somos livres para escolhermos a nossa religião e que devemos ser respeitados pelas escolhas que fazemos.
Montamos também um mosaico com a turma e os alunos mostraram-se receptivos em apresentar seus parentes sendo eles negros, indios ou de outras etnias que formavam as suas famílias.
O debate destas questões com os alunos faz aflorar neles o espírito de um povo que nasceu de uma miscigenação entre diferentes tipos de povos e fortalecer suas raízes e consciência de fazerem parte de um povo que tem orgulho de suas raízes.
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domingo, maio 31, 2009
domingo, abril 26, 2009
Cultura Indígena
Este final de semana procurando textos sobre cultura indígena para montar um trabalho sobre etnias com meus alunos e também atender a disciplina de "questões etnico-raciais", meu marido leu um texto publicado no Correio do Povo de domingo (26/04/09) e me mostrou, abordava sobre infanticídio nos povos indígenas, o texto me chamou atenção e li a história de uma indiazinha chamada Hakani, membro da tribo Suruwaha, onde o infanticídio é ainda hoje praticado.
Sinceramente fiquei chocada com história de Hakani, sobrevivente de um infanticídio, salva por pessoas que a acolheram e hoje é uma menina saudável e normal.
No linck abaixo consta a história de Hakani, peço que acessem e conheçam sua história;
http://www.hakani.org/pt/historia_hakani.asp
Eis aqui outro depoimento de um indio, da mesma tribo, onde conta a sua história e questiona os costumes de sua tribo.
“A mãe mesmo falou pra mim outro dia ‘Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.’
É muito triste, a gente não consegue esquecer.”
Meu filho tinha um irmão gêmeo - Depoimento de Paltu Kamayura
Esse meu filho era gêmeo, tinha dois. Eles enterraram o outro. A enfermeira não me avisou que ela tinha gêmeos. Só na hora que nasceram as crianças, às duas horas da madrugada. Eu estava na minha casa e a minha esposa estava na casa da mãe dela. Aí, depois que nasceu, a pessoa veio falar prá mim que eram duas crianças. Eu levei um susto, né? Eles me avisaram que iam enterrar as duas. Aí eu falei que não, que eu precisava pegar pelo menos uma delas. Mas a família não queria que eu pegasse nem uma das crianças.
Eu insisti e aí meu pai foi lá para segurar uma das crianças. Eles pegaram uma e enterraram a outra. Hoje a criança está aqui comigo, já tem sete meses, tá gordinho. Quando eles enterram criança, o pai e a mãe sentem falta. Como é meu caso mesmo. Até hoje eu não esqueço ainda. Porque eu estou vendo o menino, o crescimento dele, aí eu penso no outro também, poxa!
Se eu tivesse alguém que me ajudasse, eu poderia criar as duas crianças... eu falo isso. A mãe mesmo falou prá mim outro dia “Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.” É muito triste, a gente não consegue esquecer. As pessoas que estudam sobre a cultura do índio, como antropólogos e indigenistas, eles pensam que os índios vão viver assim prá sempre, como era antes. Mas hoje já está mudando. Cada vez mais o pensamento dos jovens, da geração de hoje, vai mudando.
O meu pensamento mesmo, não é como antes. Não é como o pensamento dos antropólogos que estudaram a cultura, que dizem “deixa ele viver assim, isso é a cultura deles”. Não, porque a cultura não pára, ela anda. O pensamento também anda, igualzinho a cultura. Por isso é que hoje a gente está querendo pegar todas essas crianças, até as que têm defeito. Elas são gente, não são animal, não são filho de porco ou de tatu. São gente mesmo, saíram de uma pessoa. Esse é o meu pensamento. Isso quem vai decidir é a gente mesmo. Somos nós que estamos procurando ajuda para criar essas crianças. Nós estamos procurando apoio, nós temos que conversar entre nós mesmos, aí, através dessa conversa, o governo tem que nos atender.
Muita gente já tá procurando ajuda para resolver esse problema. Meu sobrinho mesmo, o Marcelo, ele trabalha na área de saúde. Ele é auxiliar de enfermagem e está indo de aldeia em aldeia, conversando com os caciques. Ele está conversando, falando para não enterrar mais criança que nasce com deficiência, gêmeos, criança que não tem pai. Não é para enterrar mais. Gêmeos, é para pegar, é para criar, porque se a gente ficar enterrando as crianças, nossa população nunca vai aumentar. Essa é a nossa preocupação hoje.”
http://www.hakani.org/pt/outras_historias.asp
Sinceramente fiquei chocada com história de Hakani, sobrevivente de um infanticídio, salva por pessoas que a acolheram e hoje é uma menina saudável e normal.
No linck abaixo consta a história de Hakani, peço que acessem e conheçam sua história;
http://www.hakani.org/pt/historia_hakani.asp
Eis aqui outro depoimento de um indio, da mesma tribo, onde conta a sua história e questiona os costumes de sua tribo.
“A mãe mesmo falou pra mim outro dia ‘Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.’
É muito triste, a gente não consegue esquecer.”
Meu filho tinha um irmão gêmeo - Depoimento de Paltu Kamayura
Esse meu filho era gêmeo, tinha dois. Eles enterraram o outro. A enfermeira não me avisou que ela tinha gêmeos. Só na hora que nasceram as crianças, às duas horas da madrugada. Eu estava na minha casa e a minha esposa estava na casa da mãe dela. Aí, depois que nasceu, a pessoa veio falar prá mim que eram duas crianças. Eu levei um susto, né? Eles me avisaram que iam enterrar as duas. Aí eu falei que não, que eu precisava pegar pelo menos uma delas. Mas a família não queria que eu pegasse nem uma das crianças.
Eu insisti e aí meu pai foi lá para segurar uma das crianças. Eles pegaram uma e enterraram a outra. Hoje a criança está aqui comigo, já tem sete meses, tá gordinho. Quando eles enterram criança, o pai e a mãe sentem falta. Como é meu caso mesmo. Até hoje eu não esqueço ainda. Porque eu estou vendo o menino, o crescimento dele, aí eu penso no outro também, poxa!
Se eu tivesse alguém que me ajudasse, eu poderia criar as duas crianças... eu falo isso. A mãe mesmo falou prá mim outro dia “Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.” É muito triste, a gente não consegue esquecer. As pessoas que estudam sobre a cultura do índio, como antropólogos e indigenistas, eles pensam que os índios vão viver assim prá sempre, como era antes. Mas hoje já está mudando. Cada vez mais o pensamento dos jovens, da geração de hoje, vai mudando.
O meu pensamento mesmo, não é como antes. Não é como o pensamento dos antropólogos que estudaram a cultura, que dizem “deixa ele viver assim, isso é a cultura deles”. Não, porque a cultura não pára, ela anda. O pensamento também anda, igualzinho a cultura. Por isso é que hoje a gente está querendo pegar todas essas crianças, até as que têm defeito. Elas são gente, não são animal, não são filho de porco ou de tatu. São gente mesmo, saíram de uma pessoa. Esse é o meu pensamento. Isso quem vai decidir é a gente mesmo. Somos nós que estamos procurando ajuda para criar essas crianças. Nós estamos procurando apoio, nós temos que conversar entre nós mesmos, aí, através dessa conversa, o governo tem que nos atender.
Muita gente já tá procurando ajuda para resolver esse problema. Meu sobrinho mesmo, o Marcelo, ele trabalha na área de saúde. Ele é auxiliar de enfermagem e está indo de aldeia em aldeia, conversando com os caciques. Ele está conversando, falando para não enterrar mais criança que nasce com deficiência, gêmeos, criança que não tem pai. Não é para enterrar mais. Gêmeos, é para pegar, é para criar, porque se a gente ficar enterrando as crianças, nossa população nunca vai aumentar. Essa é a nossa preocupação hoje.”
http://www.hakani.org/pt/outras_historias.asp
Achei oportuno mostrar este depoimento pois aqui mostra que as pessoas querem mudar, procuram ajuda, como ele mesmo menciona sobre a postura de certas entidades e pessoas que preferem não interferir porque as atitudes fazem parte da cultura de cada povo, mas como ele mesmo diz "a cultura anda, assim como o pensamento"
Fazendo um paralelo ao texto que analisamos sobre o "Dilema do antropólogo francês" onde o mesmo resolveu se isentar, não interferir na cultura do povo mesmo sabendo que poderia estar colocando em risco a sua sobrevivência.
Após a divulgação da história de Hakani, surgiu um projeto intitulado Projeto Hakani que luta contra o infanticídio entre nossos índios e a postura adotada por certos órgãos ao tema.
o Projeto Hakani encontra-se no link abaixo, vale a pena conhecer.
http://www.hakani.org/
MOSAICO
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Construir, com os alunos, o mosaico foi uma atividade de muitas descobertas. Primeiro realizamos a atividade do espelho onde eles se descreveram, colocaram as suas características, depois observaram e descreveram seus colegas, foi muito prazeroso, para eles e também para mim, como professora, ver meus alunos envolvidos com entusiasmo em uma atividade, observando e observando-se.
Realizamos a atividade durante três dias, mas daremos continuidade no decorrer do ano. O primeiro foi para se observarem (espelho), depois observar o colega.
Depois buscaram junto a seus familiares suas raízes, e fizemos o registro através de fotos e informações dadas por seus failiares.
Após concluímos com a construção do mosaico, através de murais e confecção de uma árvore com as fotos de seus familiares.
Este trabalho pretendo dar continuidade abordando as raças mencionadas na construção do mesmo.
Construir, com os alunos, o mosaico foi uma atividade de muitas descobertas. Primeiro realizamos a atividade do espelho onde eles se descreveram, colocaram as suas características, depois observaram e descreveram seus colegas, foi muito prazeroso, para eles e também para mim, como professora, ver meus alunos envolvidos com entusiasmo em uma atividade, observando e observando-se.
Realizamos a atividade durante três dias, mas daremos continuidade no decorrer do ano. O primeiro foi para se observarem (espelho), depois observar o colega.
Depois buscaram junto a seus familiares suas raízes, e fizemos o registro através de fotos e informações dadas por seus failiares.
Após concluímos com a construção do mosaico, através de murais e confecção de uma árvore com as fotos de seus familiares.
Este trabalho pretendo dar continuidade abordando as raças mencionadas na construção do mesmo.
sábado, abril 11, 2009
QUESTÕES ÉTNICOS-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA
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